Desenho de: A. WilletteLetras e palavras algo que nestes últimos dias da semana tem estado um pouco adormecido, talvez se encontrem um pouco como o espírito da pessoa que tem de as transmitir, talvez estejam de algum modo a procurar a calma como a pessoa que as escreve, talvez apenas procurem o momento em que sintam que se devem soltar…
Dirijo-me com passos apressados para uma porta o frio sente-se e por isso tento ser rápida na abertura da mesma, mas “ela” – porta - optou por fazer o contrário e ser do mais teimoso que existe na abertura, enquanto isso as mãos gelavam, finalmente, a tranca de segurança caiu e a porta abriu-se. Gelada corro para o carro, mas antes olho e vejo um “rolo” preto enroscado no capot, na parte onde o calor do motor ainda se fazia sentir.
Olho-a e digo-lhe para sair, “ela” olha para mim com os seus olhos negros e mantém-se calma e na posição de querer continuar a dormir.
Então entro no carro, novamente olho para ela e para os seus olhos negros, ela olha e matem-se na mesma, ligo o motor, ela continua na mesma calma e pacatamente deitada, nem um salto nada, simplesmente a calma. Saio do carro, chamo-a e digo-lhe para sair, "ela" começa a perceber e olha para mim, quer sair mas ao mesmo tempo não quer… Continuo neste “jogo” de calma entre o chamar calmamente e o esperar que “ela” desça do capot.
Ao fim de algum tempo levanta-se lentamente anda e a custo tenta descer do capot, hesita muito tempo, finalmente desceu.
Senti uma tristeza e finalmente percebi o porquê de não descer, sim o porquê…
É uma gata preta que sempre foi de uma personalidade muito grande, de uma agilidade tremenda, caiu de um 5º andar e sobreviveu à queda, mas … o pelo já não é preto nem brilhante, está com muitos brancos e castanhos, a agilidade já é pouca, a idade já é muita é mesmo muito “velhota” e está doente.
Assim pela primeira vez vi aquele felino hesitar num salto, por medo e por não conseguir ter o equilíbrio necessário, pela primeira vez vi aquele felino saltar e desequilibrar-se, pela primeira vez tive a noção que o “bicho” (é o nome dela porque nuca aceitou outro nome e só foi a este que sempre respondeu), opta faz bastante tempo por ficar na garagem do que andar na rua,
Apercebo-me então que não somos só nós que nos damos conta que a idade avança, os animais também e com ela tornam-se mais pacatos, calmos e caseiros tal como as pessoas.
Faço-lhe uma festas no pouco pelo que ainda vai tendo fica contente, levanto-me digo-lhe adeus olha para mim e segue-me com o olhar até sair da garagem e fechar a porta.
…
